
Compelling Evidence 3.0 da Visa na Prática: Desafios e Oportunidades para Subadquirentes e PSPs
A Importância do Compelling Evidence 3.0 no Cenário Brasileiro de Pagamentos
A constante evolução das táticas de fraude e a crescente pressão regulatória do Banco Central do Brasil sobre a indústria de pagamentos, especialmente em relação a chargebacks e fraude, impulsionam a necessidade de ferramentas robustas de proteção. A Visa, em linha com essa demanda, lançou o Compelling Evidence 3.0 (CE 3.0), uma atualização significativa que reverte a lógica de responsabilidade em disputas de chargeback em cenários específicos de fraude amistosa. Para subadquirentes, PSPs e gestores de risco, compreender e implementar o CE 3.0 não é apenas uma vantagem competitiva, mas uma necessidade estratégica.
Tradicionalmente, no Brasil, o ônus da prova em casos de fraude não autorizada recaía predominantemente sobre o e-commerce ou o subadquirente, que precisava comprovar a legitimidade da transação. O CE 3.0, especialmente para os reason codes 10.4 (fraude) e 10.5 (mercadoria ou serviço não recebido), inverte essa lógica em certas condições, exigindo que o emissor apresente provas de que a fraude ocorreu, mesmo se a transação tiver dados convincentes apresentados pelo adquirente.
Principais Mudanças e Seus Impactos
O CE 3.0 introduz o conceito de 'token de confiança' ("Trust Token"), que é gerado quando, via Verified by Visa (VbV) ou 3D Secure, o titular do cartão e o dispositivo utilizado na transação são reconhecidos como legítimos pelo emissor. Este token, quando presente em transações contestadas, move a responsabilidade de provar a fraude do lado do adquirente (e, por extensão, do e-commerce/subadquirente) para o emissor.
Impacto na Prática:
- Para o Adquirente/Subadquirente/PSP: Menos chargebacks perdidos por fraude não autorizada em transações 3D Secure válidas. O foco passa a ser garantir a melhor autenticação possível e coletar dados transacionais ricos. Isso significa que, se uma transação for autenticada com sucesso pelo 3D Secure e tiver um Trust Token, o emissor terá que trabalhar muito mais para provar a fraude do que antes.
- Para o E-commerce: Aumento da segurança nas vendas, diminuição de perdas por chargeback e maior confiança nas transações online. A adesão e otimização do 3D Secure tornam-se ainda mais cruciais.
- Para o Emissor: O desafio de provar a fraude é elevado para transações com Trust Token. Isso os força a refinar suas próprias estratégias de detecção de fraude e a considerar mais cuidadosamente as disputas de seus correntistas.
Dados Necessários para o Compelling Evidence 3.0
Para aproveitar ao máximo o CE 3.0, subadquirentes e PSPs devem garantir que dados específicos sejam capturados e estejam disponíveis para a defesa da transação. Esses dados funcionam como a 'prova' que, combinada com o Trust Token, fortalece a posição do adquirente.
- Dados de Autenticação 3D Secure:
CAVV (Cardholder Authentication Verification Value): Essencial para demonstrar a autenticação bem-sucedida.ECI (Electronic Commerce Indicator): Indica o resultado da autenticação 3D Secure (ex: 05 para sucesso).Versão do Protocolo 3DS: Garante compatibilidade e evidência de autenticação moderna.
- Dados Transacionais Históricos (para o mesmo consumidor/cartão/dispositivo):
- Histórico de Compras: Pelo menos duas transações anteriores sem disputas, com 120 dias de diferença e dentro de 12 meses da transação contestada. Isso mostra um padrão de compra legítimo.
- IPs idênticos: Endereços IP que se repetem em transações anteriores e na contestada.
- E-mails de confirmação: Evidência de comunicação pós-compra.
- Endereços de entrega: Coerência entre endereços de entrega de compras anteriores e a atual.
- Dados do dispositivo: Impressões digitais (fingerprinting) do dispositivo (seja via navegador ou app) que se repetem. Soluções antifraude avançadas fornecem esse dado.
- Dados de Entrega (se aplicável):
- Comprovantes de entrega assinado.
- Número de rastreamento e confirmação de recebimento.
Estratégias de Implementação para Subadquirentes e PSPs
1. Otimização do 3D Secure
Não basta ter o 3D Secure; ele precisa ser otimizado. Avalie a versão utilizada (3DS2.x oferece mais dados e é preferível), o motor de regras para desafiar transações de alto risco e o fluxo de usuário para minimizar atritos.
- Exemplo Prático: Um PSP pode implementar um sistema de autenticação adaptativa, onde transações de baixo risco passam sem desafio (frictionless flow), enquanto transações de alto risco são submetidas a um desafio forte (strong customer authentication), gerando mais dados para o Trust Token.
2. Coleta e Armazenamento de Dados Robustos
Para construir um caso de CE 3.0 vitorioso, a granularidade dos dados é fundamental. Invista em sistemas que capturem e armazenem de forma segura os dados mencionados acima, além de informações como hora, data, valor, descrição do item, merchant ID, etc.
- Exemplo Prático: Um subadquirente que opera com diversos e-commerces deve padronizar a coleta de informações de entrega e dados de dispositivos, garantindo que esses dados sejam enviados no momento da transação e armazenados de forma acessível para disputas futuras.
3. Integração com Soluções Antifraude Avançadas
Ferramentas de antifraude modernas, como as oferecidas pela Reclaim, são cruciais. Elas não só ajudam a prevenir a fraude antes da transação, mas também fornecem dados ricos (como device fingerprinting e históricos de IP) que são ouro para disputas sob o CE 3.0.
- Exemplo Prático: A integração do motor de regras antifraude da Reclaim com o fluxo de autenticação 3D Secure, permite que o PSP ou subadquirente tome decisões mais inteligentes sobre quando autenticar fortemente e como coletar as provas necessárias para o CE 3.0.
4. Treinamento da Equipe e Ajuste de Processos Internos
Eduque suas equipes de risco e operações sobre os novos requisitos do CE 3.0. Revise os fluxos de trabalho de disputa para incorporar a verificação da presença do Trust Token e a coleta de dados de suporte.
- Exemplo Prático: Um PSP pode criar um
playbookde disputa que, ao receber um chargeback de fraude, primeiro verifica a presença do CAVV e ECI indicando um Trust Token, e em seguida, aciona a busca por transações históricas e dados de device fingerprinting para montar a defesa CE 3.0.
5. Monitoramento Contínuo e Análise de Performance
Monitore a taxa de sucesso de suas disputas CE 3.0. Identifique padrões, otimize seus motores de regras e ajuste suas estratégias de coleta de dados.
- Exemplo Prático: Analisar mensalmente os
reason codescom maior incidência de chargebacks e o percentual de sucesso nas disputas CE 3.0. Se o sucesso for baixo, investigar quais dados estão faltando ou qual etapa do processo está falhando.
Considerações Finais: O Futuro da Gestão de Chargebacks
O Compelling Evidence 3.0 da Visa representa um passo significativo para equilibrar a responsabilidade em casos de fraude amistosa e non-receipt. Para subadquirentes e PSPs no Brasil, a adaptação a essa nova realidade é imperativa. Aqueles que investirem em tecnologia, coleta de dados robusta e processos eficientes de gestão de chargebacks, como os oferecidos pela Reclaim, estarão melhor posicionados para reduzir perdas, otimizar custos e oferecer um ambiente de pagamentos mais seguro para seus clientes e-commerces.
A era em que o emissor detinha quase todo o poder na disputa de fraude está gradualmente mudando. Acompanhar essas mudanças e se equipar com as ferramentas certas é o divisor de águas entre a mitigação de perdas e a sustentabilidade no mercado de pagamentos digital brasileiro. Para saber mais sobre como a Reclaim pode ajudar sua operação a navegar pelo cenário de chargebacks, entre em contato conosco ou visite nosso blog.
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